Kevin DeYoung
Kevin DeYoung é o pastor da University Reformed Church em East Lasing, MI, EUA. Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado pelo Gordon-Conwell Theological Seminary. É autor de diversos livros, preletor em conferências teológicas e pastorais, é cooperador do ministério “The Gospel Coalition” e mantém um Blog na internet “DeYoung, restless and reformed”. Kevin é casado com Trisha com quem tem 4 filhos.
Que ferramentas todo pastor deve possuir? Que habilidades ele precisa ter? Ou, perguntando com franqueza: o que um pastor tem de fazer razoavelmente para ser um bom pastor?
Observe o que não estou perguntando. Não estou perguntando sobre a teologia do pastor. Ou sobre a sua santidade pessoal. Ambas são essenciais e mais importantes do que algum dom específico. Todo pastor precisa cuidar bem de sua vida e de sua doutrina (1 Tm 4.16). Mas, o que um pastor tem de fazer? Esse é o assunto deste artigo.
Admitamos que ele está indo bem nas áreas de caráter e de convicção. Mas, o que se exige dele quanto à competência?
Em seguida, apresentamos uma lista que não é exaustiva. E, com certeza, não reivindicamos ser excelentes em cada área. Todavia, com base em minha experiência, um pastor de igreja local – estou pensando, em particular, no papel de pastor principal ou de pastor único – tem de ser competente em cinco áreas.
1. Um pastor tem de ser capaz de ensinar. Uma das cinco diferenças existentes nas qualificações de presbíteros e diáconos e a única habilidade na lista é que o presbítero seja “apto para ensinar” (1 Tm 3.2). Se o pastor é o único ou o pastor principal, ele labutará especialmente na pregação e no ensino (1 Tm 5.17). As igrejas suportarão várias deficiências, porém muitas igrejas ficarão impacientes com um pastor que não sabe ensinar.
É verdade que ensinar e pregar são habilidades que se desenvolvem com o passar do tempo. Por isso, talvez seja difícil determinar se um jovem é “apto para ensinar”. Contudo, antes de alguém entrar no ministério, ele deve ser capaz de comunicar a Palavra de Deus com alguma medida de confiança e clareza.
Algumas coisas que devemos examinar:
• Ele gosta de ensinar? Se não gosta, não melhorará no ensino.
• Ele pode se comunicar com as crianças? Seria um grande treinamento e um admirável campo de prova se os pastores trabalhassem como professores de alunos das primeiras séries, antes de entrar no ministério de tempo integral. Bons mestres sabem como tornar compreensíveis verdades profundas. Em contraste, se você torna confusas coisas simples, talvez não tenha o dom de ensino, ainda não.
• Ele gosta de ler? Alguns pastores lêem bastante. Outros lerão devagar ou sem muita freqüência. Mas, se um pastor não gosta de ler (supondo que ele tem acesso a bons livros), ele dificilmente crescerá em profundidade e amplitude de discernimento. Se um pastor não tem fome por aprender, talvez não ajudará outros a aprender.
2. Um pastor tem de ser capaz de relacionar-se com as pessoas. Há muitas maneiras de um pastor conectar-se com seu povo. Ele pode fazer visitas aos enfermos, ou mentorear pessoas individualmente, ou liderar grupos pequenos, ou trabalhar para que haja mais envolvimento da equipe de colaboradores. Sempre haverá pessoas ao redor do ministério; e um bom pastor se esforçara para estar disponível a pelo menos algumas dessas pessoas.
Os relacionamentos assumem muitas formas. Você pode ser um pastor extrovertido e gregário ou um introvertido meditativo. Alguns de nós somos bons em bate-papo. Outros odeiam isso e preferem um convívio mais próximo e quieto com outra pessoa. Não estou dizendo que o ministério pastoral é somente para os sociáveis. Mas, se um homem não pode lidar cordial, gentil e amavelmente com as pessoas, ele deve pensar duas vezes em ser um pastor.
Uma boa pergunta a ser considerada: este homem faz amigos com facilidade? Eu hesitaria em chamar um pastor que luta para fazer e manter amigos.
3. Um pastor tem de ser capaz de liderar. Isso pode nos enganar. Ao usar o vocábulo “liderar” não quero dizer que todo pastor tem de ser um empreendedor ousado. Mas ele deve ter pessoas que o seguem. Tem de ser disposto a tomar uma posição, ser impopular às vezes. Precisa de coragem e da habilidade de tomar decisões desagradáveis. Se um homem tem necessidade de ser apreciado por todos, em todo o tempo, ele não está pronto para ser um pastor. Um pastor não deve ter medo de influenciar. E, se ele não é um visionário ousado, deve ser aquele tipo de líder que encoraja outros que têm dons de liderança mais destacados.
4. Um pastor tem de ser relativamente organizado ou cercar-se de pessoas que podem fazer isso por ele. Eu queria usar a palavra “administração” para referir-me a esse assunto, mas decidi não usá-la por receio de ser mal compreendido. Não creio que os pastores precisam ser gurus administrativos. De fato, penso que nenhum pastor entrou num seminário com o sonho de que poderia ser capaz de manter a igreja cumprindo sua função tranquilamente. Administração não é a essência do ministério; pelo menos, não deveria ser.
No entanto, não podemos evitar isto: um pastor tem de possuir alguma habilidade básica de organização. Ele não pode esquecer sempre os seus compromissos ou chegar atrasado em cada reunião de presbíteros. O pastor precisa retornar as chamadas telefônicas e entender como se realiza uma reunião. Na verdade, todos esquecemos coisas. Todos nós falhamos de vez em quando. Ser um pastor não exige onisciência ou onipotência, mas temos de ser responsáveis. Certo ou errado, talvez a sua igreja não perceba imediatamente que você parou de estar com as pessoas e que você não tem capacidade de liderar, mas a congregação perceberá logo que não pode depender de você.
Competência administrativa básica é exigida para o ministério pastoral. Se você não tem essa competência como pastor, ache pessoas que têm e permita que elas cuidem de você.
5. Um pastor tem de orar. Se essa ferramenta ficar corroída, ninguém saberá; pelo menos, não a princípio. É impossível sobreviver como pastor sem as outras quatro habilidades. Contudo, infelizmente, é fácil sobreviver e, até, prosperar no ministério sem essa ferramenta. O pastor que prospera sem oração não é o pastor sob cujo ministério quero estar, nem o pastor que desejo ser. Podemos realizar muito em nós mesmos, mas o que realmente importa exige oração, porque exige a presença de Deus. Um homem que não ora não deve pregar.
Como você mesmo pode testemunhar, essas cinco competências não são iguais em importância. As competências 1, 2 e 5 são essenciais e devem ser o foco do ministério. As competências 3 e 4 podem ser evitadas por algum tempo, mas não podem ser ignoradas. Em minha experiência, todas as cinco habilidades são necessárias ao ministério pastoral. Alguns pastores serão excelentes em várias dessas competências. Alguns serão muito bons em uma área ou muito bons em outras. Nenhum pastor será um modelo de todas essas cinco áreas. Se eu tivesse de avaliar um aluno de seminário que está prestes a entrar no ministério, ou se fosse membro de uma igreja que está à procura de um pastor, desejaria ver competência básica em cada uma dessas áreas.
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Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright© Kevin DeYoung
©Editora Fiel
Traduzido do original em inglês: Requisite Tools extraído do blog: DeYoung, restless and Reformed.
Pregadores Reformados
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
As Mulheres Devem Servir como Pastoras?
As Mulheres Devem Servir como Pastoras?
Thomas R. Schreiner
Thomas R. Schreiner é professor de interpretação do Novo Testamento no Seminário Teológico Batista do Sul, em Louisville, Kentucky, onde ocupa a renomada cadeira James Buchanan Harrison. Seu livro mais recente é Run to win the prize: perseverance in the New Testament (Crossway, 2010).
As pessoas ocasionalmente perguntam-me se as mulheres devem servir no ministério. Minha resposta é sempre: “Sim, é claro! Todos os crentes são chamados para servir e ministrar uns aos outros.”
Entretanto, eu responderia de maneira diferente se a pergunta fosse mais precisamente assim: “Há ministérios nos quais as mulheres não devem servir?” Eu argumentaria que o Novo Testamento claramente ensina que as mulheres não deveriam servir como pastoras (função à qual o Novo Testamento também faz referências usando as palavras bispos ou anciãos). Fica claro no Novo Testamento que os termos pastor, bispo e ancião referem-se à mesma função (cf. At 20.17, 28; Tt 1.5, 7; 1 Pe 5.1-2) e, no restante deste texto, usarei os termos “ancião” e “pastor” alternadamente para designar essa função.
A PROIBIÇÃO DE PAULO EM 1 TIMÓTEO 2.12
O texto fundamental que estabelece que as mulheres não deveriam servir como anciãs é 1 Timóteo 2.11-15. Lemos no verso 12: “Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem” (NVI). Nessa passagem, Paulo proíbe que as mulheres realizem duas atividades que caracterizam o ministério dos anciãos: ensino e exercício de autoridade. Dentre outras partes, vemos isso nos trechos referentes às qualificações para a função: Os anciãos devem ter habilidade para ensinar (1 Tm 3.2; 5.17; Tt 1.9; cf. At 20.17-34) e para liderar a igreja (1 Tm 3.4-5; 5.17). As mulheres são proibidas de ensinar aos homens e de exercer autoridade sobre eles e, portanto, não devem servir como anciãs.
Essa proibição ainda está em vigor?
Mas, a ordem de que as mulheres não devem ensinar aos homens nem exercer autoridade sobre eles foi planejada para estar em vigor hoje? Muitos argumentam que Paulo proibiu as mulheres de servirem como anciãs porque nos dias dele, as mulheres não recebiam educação e, portanto, eram desprovidas da habilidade de ensinar bem aos homens. Também existe o argumento de que as mulheres eram responsáveis pelo ensino falso que estava preocupando a congregação à qual Paulo escreveu em 1 Timóteo (1 Tm 1.3; 6.3). De acordo com essa leitura, Paulo apoiaria o serviço dessas mulheres como pastoras depois que elas fossem apropriadamente educadas, e se ensinassem sã doutrina.
A proibição está fundamentada na criação, não em circunstâncias.
Essas tentativas de relativizar a proibição de Paulo devem ser julgadas como malsucedidas. Teria sido fácil para Paulo escrever: “Não quero que as mulheres ensinem, nem que exerçam autoridade sobre os homens porque elas não foram educadas”, ou, “Não quero que as mulheres ensinem, nem que exerçam autoridade sobre os homens porque estão espalhando ensino falso”. Contudo, qual razão Paulo realmente apresenta para a sua ordem no verso 12? A base lógica dele para tal ordem vem no verso seguinte: “Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva” (v. 13). Paulo não diz nada quanto a falta de educação ou quanto a mulheres promulgando ensino falso. Em vez disso, ele refere-se à ordem criada, à boa e perfeita intenção de Deus quando formou os seres humanos. É essencial cuidar para que a referência à criação indique que a ordem de as mulheres não ensinarem nem exercerem autoridade sobre os homens seja uma palavra transcultural, uma proibição ligada à igreja em todas as épocas e em todos os lugares. Ao dar essa ordem, Paulo não remonta à criação caída, às consequências sofridas pela vida humana como um resultado do pecado. Mais propriamente falando, ele fundamenta a proibição em toda a boa criação que existiu antes de o pecado entrar no mundo.
O motivo principal pelo qual as mulheres não deveriam servir como pastoras é comunicado aqui e, assim, o argumento da criação não pode ser rejeitado como limitado culturalmente. Além disso, o Novo Testamento contém muitas referências semelhantes à ordem criada. Por exemplo, o homossexualismo não está em harmonia com a vontade de Deus porque é “contrário à natureza” (Rm 1.26); ou seja, ele viola o que Deus pretendia quando fez seres humanos como homens e mulheres (Gn 1.26-27). Semelhantemente, Jesus ensina que o divórcio não é o ideal divino desde que, na criação, Deus fez um homem e uma mulher, significando que um homem deveria casar-se com uma mulher “até que a morte os separe” (Mt 19.3-12). Assim, também, toda comida deve ser recebida com gratidão desde que é um dom da mão criadora de Deus (1 Tm 4.3-5).
Em 1 Timóteo 2.11-15, Paulo especificamente fundamenta sua proibição de mulheres ensinando e exercendo autoridade na ordem da criação, isto é, que Adão foi criado primeiro e, depois, Eva (Gn 2.4-25). A narrativa em Gênesis é construída cuidadosamente, e Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, nos ajuda a ver o significado de Eva sendo criada depois de Adão. Os críticos ocasionalmente objetam que o argumento não convence desde que os animais foram criados antes dos seres humanos, mas isso falha em compreender o objetivo de Paulo. Só os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1.26-27) e, portanto, o apóstolo comunica o sentido de Deus criar o homem antes de criar a mulher, isto é, que o homem tem a responsabilidade de liderar.
Em 1 Timóteo 2.14, Paulo apresenta um segundo motivo pelo qual as mulheres não deveriam ensinar ou exercer autoridade sobre os homens: “E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. O que Paulo pretende dizer aqui provavelmente não é que as mulheres são mais propensas a cometer erros do que os homens, pois em outro trecho as recomendou como professoras de mulheres e crianças (Tt 2.3; 2 Tm 1.5; 3.14-15), o que ele não faria se as mulheres fossem, por natureza, inclinadas ao engano. É possível que Paulo estivesse, mais uma vez, pensando no relato da criação, pois a serpente subverteu a ordem criada ao enganar Eva em vez de Adão (subvertendo, assim, a liderança masculina), ainda que exista evidência de que Adão estava com Eva quando a tentação ocorreu (Gn 3.6). O verso 14 não ensina que as mulheres são desprovidas de educação, porque engano é uma categoria moral, enquanto que falta de educação é remediada com o recebimento de instrução.
O fato de Eva haver sido enganada não pode ser atribuído a fraqueza intelectual, mas sim à rebeldia dela, ao desejo dela de ser independente de Deus. Além disso, a referência a engano aqui não indica que as mulheres de Éfeso tiveram um papel principal na difusão de ensinos falsos, pois os falsos mestres mencionados em 1 Timóteo são homens (1 Tm 1.20). De fato, se as mulheres fossem impedidas de ensinar por serem defensoras de ensinos falsos, teríamos a estranha e muito improvável situação em que todas as cristãs em Éfeso teriam sido enganadas por um falso ensino. Antes, a intenção de Paulo é dizer que o fato de Satanás haver tentado Eva em vez de Adão subverteu a liderança masculina, pois ele enganou e tentou a mulher apesar de Adão estar presente com Eva quando a tentação ocorreu. É verdade que, embora Eva tenha sido enganada antes pela serpente, a principal responsabilidade pelo pecado caiu sobre os ombros de Adão. Isso é evidente em Gênesis 3, pois o Senhor fala primeiro com Adão sobre o pecado do casal, e isso é confirmado por Romanos 5.12-19, onde a pecaminosidade da raça humana é traçada desde Adão e não de Eva.
Resumindo, 1 Timóteo 2.12 proíbe que as mulheres ensinem ou exerçam autoridade sobre homens na igreja. Essa proibição fundamenta-se na ordem da criação e é confirmada pela inversão de papéis que ocorreu na queda. Essa não é uma proibição limitada cultural ou contextualmente, que não aplica-se mais às igrejas.
O TESTEMUNHO CONFIRMATIVO DO RESTANTE DAS ESCRITURAS
O que aprendemos sobre os papéis dos homens e das mulheres tomando por base a criação dos mesmos.
O que vemos a respeito dos papéis dos homens e das mulheres no restante das Escrituras confirma o que lemos em 1 Timóteo 2.11-15. O livro de Gênesis dá seis evidências quanto aos maridos terem a responsabilidade principal da liderança no casamento: 1) Deus criou Adão primeiro e, depois, Eva. 2) Deus deu a Adão, e não a Eva, a ordem de não comerem do fruto da árvore. 3) Adão deu nome à “mulher”, assim como havia dado nome aos animais, indicando a sua autoridade (Gn 2.19-23). 4) Eva foi designada como “auxiliadora” de Adão (Gn 2.18). 5) A serpente enganou Eva e não Adão, subvertendo, assim, a liderança masculina (Gn 3.1-6); e 6) Deus veio primeiro a Adão, não obstante Eva houvesse pecado antes (Gn 3.9; cf. Rm 5.12-19).
O que aprendemos no ensino bíblico a respeito do casamento
O texto de Gênesis que foi mencionado concorda com o que descobrimos sobre casamento no Novo Testamento. Os esposos têm a responsabilidade principal da liderança, e as esposas são chamadas a submeterem-se à liderança de seus esposos (Ef 5.22-33; Cl 3.18-19; 1 Pe 3.1-7). O chamado à submissão para a esposa não está fundamentado em meras normas culturais, pois ela é chamada a submeter-se a seu esposo assim como a igreja é chamada a submeter-se a Cristo (Ef 5.22-24). Paulo designa o casamento como um “mistério” (Ef 5.32), e o mistério é que o casamento reflete o relacionamento de Cristo com a igreja. Então, a ordem para que os homens, e não as mulheres, sirvam como pastores concorda com o padrão bíblico de liderança e autoridade masculina dentro do casamento.
É crucial observar que um papel diferente para as mulheres não significa a inferioridade delas. Homens e mulheres foram igualmente criados à imagem de Deus (Gn 1.26-27). Eles têm igual acesso à salvação em Cristo (Gl 3.28) e, juntos, são herdeiros da grandiosa salvação que é nossa em Jesus Cristo (1 Pe 3.7). Os escritores bíblicos não lançam calúnias sobre a dignidade, inteligência e personalidade das mulheres. Vemos isso ainda mais claramente quando reconhecemos que, assim como Cristo submete-se ao Pai (1 Co 15.28), as esposas devem submeter-se aos seus esposos.
Cristo é igual ao Pai em dignidade e valor e, assim, sua submissão não pode ser compreendida como um indicador de inferioridade.
O que aprendemos em outras passagens sobre mulheres na igreja
1 Timóteo 2.11-15 não é o único texto que requer um papel diferente para homens e mulheres na igreja. Em 1 Coríntios 14.33b-36, Paulo ensina que as mulheres não devem falar na igreja. Essa passagem não proíbe que as mulheres falem absolutamente na assembléia, pois Paulo as encoraja a orarem e profetizarem na igreja (1 Co 11.5). O princípio de 1 Coríntios 14.33b-36 é que as mulheres não deveriam falar de uma maneira segundo a qual se rebelassem contra a liderança masculina ou tomassem sobre si uma autoridade injustificada, e esse princípio está em harmonia com a noção em 1 Timóteo 2.11-15, de que as mulheres não deveriam ensinar ou exercer autoridade sobre os homens.
Outro texto que nos direciona ao mesmo caminho é 1 Coríntios 11.2-16. Já vimos nessa passagem que Paulo permitiu às mulheres orarem e profetizarem na assembléia. É primordial entendermos que profecia não é um dom igual ao do ensino, pois os dons são distintos no Novo Testamento (1 Co 12.28). As mulheres serviram como profetas no Antigo Testamento, mas nunca como sacerdotisas. Semelhantemente, elas serviram como profetas no Novo Testamento, mas nunca como anciãs. Além disso, 1 Coríntios 11.2-16 deixa claro que quando as mulheres profetizassem, elas deveriam adornar-se de uma maneira que demonstrasse submissão à autoridade e liderança masculina (1 Co 11.3). Isso está de acordo com o que vimos em 1 Timóteo 2.11-15. As mulheres não são a liderança reconhecida da congregação e, portanto, não devem servir como professoras e líderes da congregação. O assunto fundamental em 1 Coríntios 11.2-16 não é o adorno das mulheres. Em todo caso, os estudiosos não estão certos de que o adorno descrito representa um véu ou um modo de usar o cabelo preso. Tal adorno era exigido nos dias de Paulo porque significava que as mulheres eram submissas à liderança masculina. Hoje, o modo como uma mulher usa seu cabelo, ou o fato de usar o véu não significa que ela é submissa ou não aos homens na liderança. Assim, deveríamos aplicar o princípio (ainda que não utilizemos a prática cultural específica) ao mundo de hoje: as mulheres deveriam ser submissas à liderança masculina, o que se manifesta em não servir como pastoras e professoras de homens.
CONCLUSÃO
As Escrituras claramente ensinam sobre os papéis únicos das mulheres na igreja e no lar. Elas são iguais aos homens em dignidade e valor, entretanto, possuem um papel diferente nesta jornada terrena. Deus deu-lhes muitos dons diferentes com os quais elas podem servir à igreja e ao mundo, mas elas não devem servir como pastoras. O Senhor não deu suas ordens para punir as mulheres, mas para que elas possam servi-lo com alegria, de acordo com a vontade dele.
www.editorafiel.com.br
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Traduzido por: Ana Paula Eusébio Pereira.
Copyright:
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© Editora FIEL 2010.
Traduzido do original em inglês: May Women Serve as Pastors? Com permissão do ministério 9Marks.
Thomas R. Schreiner
Thomas R. Schreiner é professor de interpretação do Novo Testamento no Seminário Teológico Batista do Sul, em Louisville, Kentucky, onde ocupa a renomada cadeira James Buchanan Harrison. Seu livro mais recente é Run to win the prize: perseverance in the New Testament (Crossway, 2010).
As pessoas ocasionalmente perguntam-me se as mulheres devem servir no ministério. Minha resposta é sempre: “Sim, é claro! Todos os crentes são chamados para servir e ministrar uns aos outros.”
Entretanto, eu responderia de maneira diferente se a pergunta fosse mais precisamente assim: “Há ministérios nos quais as mulheres não devem servir?” Eu argumentaria que o Novo Testamento claramente ensina que as mulheres não deveriam servir como pastoras (função à qual o Novo Testamento também faz referências usando as palavras bispos ou anciãos). Fica claro no Novo Testamento que os termos pastor, bispo e ancião referem-se à mesma função (cf. At 20.17, 28; Tt 1.5, 7; 1 Pe 5.1-2) e, no restante deste texto, usarei os termos “ancião” e “pastor” alternadamente para designar essa função.
A PROIBIÇÃO DE PAULO EM 1 TIMÓTEO 2.12
O texto fundamental que estabelece que as mulheres não deveriam servir como anciãs é 1 Timóteo 2.11-15. Lemos no verso 12: “Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem” (NVI). Nessa passagem, Paulo proíbe que as mulheres realizem duas atividades que caracterizam o ministério dos anciãos: ensino e exercício de autoridade. Dentre outras partes, vemos isso nos trechos referentes às qualificações para a função: Os anciãos devem ter habilidade para ensinar (1 Tm 3.2; 5.17; Tt 1.9; cf. At 20.17-34) e para liderar a igreja (1 Tm 3.4-5; 5.17). As mulheres são proibidas de ensinar aos homens e de exercer autoridade sobre eles e, portanto, não devem servir como anciãs.
Essa proibição ainda está em vigor?
Mas, a ordem de que as mulheres não devem ensinar aos homens nem exercer autoridade sobre eles foi planejada para estar em vigor hoje? Muitos argumentam que Paulo proibiu as mulheres de servirem como anciãs porque nos dias dele, as mulheres não recebiam educação e, portanto, eram desprovidas da habilidade de ensinar bem aos homens. Também existe o argumento de que as mulheres eram responsáveis pelo ensino falso que estava preocupando a congregação à qual Paulo escreveu em 1 Timóteo (1 Tm 1.3; 6.3). De acordo com essa leitura, Paulo apoiaria o serviço dessas mulheres como pastoras depois que elas fossem apropriadamente educadas, e se ensinassem sã doutrina.
A proibição está fundamentada na criação, não em circunstâncias.
Essas tentativas de relativizar a proibição de Paulo devem ser julgadas como malsucedidas. Teria sido fácil para Paulo escrever: “Não quero que as mulheres ensinem, nem que exerçam autoridade sobre os homens porque elas não foram educadas”, ou, “Não quero que as mulheres ensinem, nem que exerçam autoridade sobre os homens porque estão espalhando ensino falso”. Contudo, qual razão Paulo realmente apresenta para a sua ordem no verso 12? A base lógica dele para tal ordem vem no verso seguinte: “Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva” (v. 13). Paulo não diz nada quanto a falta de educação ou quanto a mulheres promulgando ensino falso. Em vez disso, ele refere-se à ordem criada, à boa e perfeita intenção de Deus quando formou os seres humanos. É essencial cuidar para que a referência à criação indique que a ordem de as mulheres não ensinarem nem exercerem autoridade sobre os homens seja uma palavra transcultural, uma proibição ligada à igreja em todas as épocas e em todos os lugares. Ao dar essa ordem, Paulo não remonta à criação caída, às consequências sofridas pela vida humana como um resultado do pecado. Mais propriamente falando, ele fundamenta a proibição em toda a boa criação que existiu antes de o pecado entrar no mundo.
O motivo principal pelo qual as mulheres não deveriam servir como pastoras é comunicado aqui e, assim, o argumento da criação não pode ser rejeitado como limitado culturalmente. Além disso, o Novo Testamento contém muitas referências semelhantes à ordem criada. Por exemplo, o homossexualismo não está em harmonia com a vontade de Deus porque é “contrário à natureza” (Rm 1.26); ou seja, ele viola o que Deus pretendia quando fez seres humanos como homens e mulheres (Gn 1.26-27). Semelhantemente, Jesus ensina que o divórcio não é o ideal divino desde que, na criação, Deus fez um homem e uma mulher, significando que um homem deveria casar-se com uma mulher “até que a morte os separe” (Mt 19.3-12). Assim, também, toda comida deve ser recebida com gratidão desde que é um dom da mão criadora de Deus (1 Tm 4.3-5).
Em 1 Timóteo 2.11-15, Paulo especificamente fundamenta sua proibição de mulheres ensinando e exercendo autoridade na ordem da criação, isto é, que Adão foi criado primeiro e, depois, Eva (Gn 2.4-25). A narrativa em Gênesis é construída cuidadosamente, e Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, nos ajuda a ver o significado de Eva sendo criada depois de Adão. Os críticos ocasionalmente objetam que o argumento não convence desde que os animais foram criados antes dos seres humanos, mas isso falha em compreender o objetivo de Paulo. Só os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1.26-27) e, portanto, o apóstolo comunica o sentido de Deus criar o homem antes de criar a mulher, isto é, que o homem tem a responsabilidade de liderar.
Em 1 Timóteo 2.14, Paulo apresenta um segundo motivo pelo qual as mulheres não deveriam ensinar ou exercer autoridade sobre os homens: “E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. O que Paulo pretende dizer aqui provavelmente não é que as mulheres são mais propensas a cometer erros do que os homens, pois em outro trecho as recomendou como professoras de mulheres e crianças (Tt 2.3; 2 Tm 1.5; 3.14-15), o que ele não faria se as mulheres fossem, por natureza, inclinadas ao engano. É possível que Paulo estivesse, mais uma vez, pensando no relato da criação, pois a serpente subverteu a ordem criada ao enganar Eva em vez de Adão (subvertendo, assim, a liderança masculina), ainda que exista evidência de que Adão estava com Eva quando a tentação ocorreu (Gn 3.6). O verso 14 não ensina que as mulheres são desprovidas de educação, porque engano é uma categoria moral, enquanto que falta de educação é remediada com o recebimento de instrução.
O fato de Eva haver sido enganada não pode ser atribuído a fraqueza intelectual, mas sim à rebeldia dela, ao desejo dela de ser independente de Deus. Além disso, a referência a engano aqui não indica que as mulheres de Éfeso tiveram um papel principal na difusão de ensinos falsos, pois os falsos mestres mencionados em 1 Timóteo são homens (1 Tm 1.20). De fato, se as mulheres fossem impedidas de ensinar por serem defensoras de ensinos falsos, teríamos a estranha e muito improvável situação em que todas as cristãs em Éfeso teriam sido enganadas por um falso ensino. Antes, a intenção de Paulo é dizer que o fato de Satanás haver tentado Eva em vez de Adão subverteu a liderança masculina, pois ele enganou e tentou a mulher apesar de Adão estar presente com Eva quando a tentação ocorreu. É verdade que, embora Eva tenha sido enganada antes pela serpente, a principal responsabilidade pelo pecado caiu sobre os ombros de Adão. Isso é evidente em Gênesis 3, pois o Senhor fala primeiro com Adão sobre o pecado do casal, e isso é confirmado por Romanos 5.12-19, onde a pecaminosidade da raça humana é traçada desde Adão e não de Eva.
Resumindo, 1 Timóteo 2.12 proíbe que as mulheres ensinem ou exerçam autoridade sobre homens na igreja. Essa proibição fundamenta-se na ordem da criação e é confirmada pela inversão de papéis que ocorreu na queda. Essa não é uma proibição limitada cultural ou contextualmente, que não aplica-se mais às igrejas.
O TESTEMUNHO CONFIRMATIVO DO RESTANTE DAS ESCRITURAS
O que aprendemos sobre os papéis dos homens e das mulheres tomando por base a criação dos mesmos.
O que vemos a respeito dos papéis dos homens e das mulheres no restante das Escrituras confirma o que lemos em 1 Timóteo 2.11-15. O livro de Gênesis dá seis evidências quanto aos maridos terem a responsabilidade principal da liderança no casamento: 1) Deus criou Adão primeiro e, depois, Eva. 2) Deus deu a Adão, e não a Eva, a ordem de não comerem do fruto da árvore. 3) Adão deu nome à “mulher”, assim como havia dado nome aos animais, indicando a sua autoridade (Gn 2.19-23). 4) Eva foi designada como “auxiliadora” de Adão (Gn 2.18). 5) A serpente enganou Eva e não Adão, subvertendo, assim, a liderança masculina (Gn 3.1-6); e 6) Deus veio primeiro a Adão, não obstante Eva houvesse pecado antes (Gn 3.9; cf. Rm 5.12-19).
O que aprendemos no ensino bíblico a respeito do casamento
O texto de Gênesis que foi mencionado concorda com o que descobrimos sobre casamento no Novo Testamento. Os esposos têm a responsabilidade principal da liderança, e as esposas são chamadas a submeterem-se à liderança de seus esposos (Ef 5.22-33; Cl 3.18-19; 1 Pe 3.1-7). O chamado à submissão para a esposa não está fundamentado em meras normas culturais, pois ela é chamada a submeter-se a seu esposo assim como a igreja é chamada a submeter-se a Cristo (Ef 5.22-24). Paulo designa o casamento como um “mistério” (Ef 5.32), e o mistério é que o casamento reflete o relacionamento de Cristo com a igreja. Então, a ordem para que os homens, e não as mulheres, sirvam como pastores concorda com o padrão bíblico de liderança e autoridade masculina dentro do casamento.
É crucial observar que um papel diferente para as mulheres não significa a inferioridade delas. Homens e mulheres foram igualmente criados à imagem de Deus (Gn 1.26-27). Eles têm igual acesso à salvação em Cristo (Gl 3.28) e, juntos, são herdeiros da grandiosa salvação que é nossa em Jesus Cristo (1 Pe 3.7). Os escritores bíblicos não lançam calúnias sobre a dignidade, inteligência e personalidade das mulheres. Vemos isso ainda mais claramente quando reconhecemos que, assim como Cristo submete-se ao Pai (1 Co 15.28), as esposas devem submeter-se aos seus esposos.
Cristo é igual ao Pai em dignidade e valor e, assim, sua submissão não pode ser compreendida como um indicador de inferioridade.
O que aprendemos em outras passagens sobre mulheres na igreja
1 Timóteo 2.11-15 não é o único texto que requer um papel diferente para homens e mulheres na igreja. Em 1 Coríntios 14.33b-36, Paulo ensina que as mulheres não devem falar na igreja. Essa passagem não proíbe que as mulheres falem absolutamente na assembléia, pois Paulo as encoraja a orarem e profetizarem na igreja (1 Co 11.5). O princípio de 1 Coríntios 14.33b-36 é que as mulheres não deveriam falar de uma maneira segundo a qual se rebelassem contra a liderança masculina ou tomassem sobre si uma autoridade injustificada, e esse princípio está em harmonia com a noção em 1 Timóteo 2.11-15, de que as mulheres não deveriam ensinar ou exercer autoridade sobre os homens.
Outro texto que nos direciona ao mesmo caminho é 1 Coríntios 11.2-16. Já vimos nessa passagem que Paulo permitiu às mulheres orarem e profetizarem na assembléia. É primordial entendermos que profecia não é um dom igual ao do ensino, pois os dons são distintos no Novo Testamento (1 Co 12.28). As mulheres serviram como profetas no Antigo Testamento, mas nunca como sacerdotisas. Semelhantemente, elas serviram como profetas no Novo Testamento, mas nunca como anciãs. Além disso, 1 Coríntios 11.2-16 deixa claro que quando as mulheres profetizassem, elas deveriam adornar-se de uma maneira que demonstrasse submissão à autoridade e liderança masculina (1 Co 11.3). Isso está de acordo com o que vimos em 1 Timóteo 2.11-15. As mulheres não são a liderança reconhecida da congregação e, portanto, não devem servir como professoras e líderes da congregação. O assunto fundamental em 1 Coríntios 11.2-16 não é o adorno das mulheres. Em todo caso, os estudiosos não estão certos de que o adorno descrito representa um véu ou um modo de usar o cabelo preso. Tal adorno era exigido nos dias de Paulo porque significava que as mulheres eram submissas à liderança masculina. Hoje, o modo como uma mulher usa seu cabelo, ou o fato de usar o véu não significa que ela é submissa ou não aos homens na liderança. Assim, deveríamos aplicar o princípio (ainda que não utilizemos a prática cultural específica) ao mundo de hoje: as mulheres deveriam ser submissas à liderança masculina, o que se manifesta em não servir como pastoras e professoras de homens.
CONCLUSÃO
As Escrituras claramente ensinam sobre os papéis únicos das mulheres na igreja e no lar. Elas são iguais aos homens em dignidade e valor, entretanto, possuem um papel diferente nesta jornada terrena. Deus deu-lhes muitos dons diferentes com os quais elas podem servir à igreja e ao mundo, mas elas não devem servir como pastoras. O Senhor não deu suas ordens para punir as mulheres, mas para que elas possam servi-lo com alegria, de acordo com a vontade dele.
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Traduzido por: Ana Paula Eusébio Pereira.
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Traduzido do original em inglês: May Women Serve as Pastors? Com permissão do ministério 9Marks.
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